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A mudança no papel do gestor nas organizações
Fonte: Valor Econômico - SP - Eu&Carreira - 24/10/2005

Luciana Sarkozy

Os últimos 20 anos trouxeram grandes mudanças no papel dos gestores em geral - gerentes, diretores e presidentes. As transformações no cenário econômico, o avanço da tecnologia e o desenvolvimento organizacional, criando novos papéis para cada área e função atingiu diretamente as demandas e responsabilidades dos gestores.

Na década de 80, era muito comum ouvir que a área de recursos humanos era responsável pelos aumentos salariais, pelo treinamento e pelo desempenho e motivação de funcionários. Uma tarefa bastante árdua para a área de recursos humanos - ser responsável pelo desempenho e motivação de toda uma organização.

Gestores tinham o papel de conduzir bem o seu departamento, focando mais nas questões técnicas, sejam da área comercial, produção,etc. delegando o papel de gestor de pessoas para a área de recursos humanos.

Embora o questionamento deste modelo tenha começado anteriormente, os anos 90, em especial no Brasil, trouxe grandes mudanças refletidas no dia-a-dia das empresas.

As áreas de recursos humanos sofreram grandes reestruturações, diminuíram de tamanho, muitas funções foram extintas, gerando até o questionamento da continuidade ou não deste segmento. Mas recursos humanos não se extinguiu e nem acredito que se extinguirá no médio prazo, mas passou a ter um papel de desenvolvedor organizacional e cada vez terá um papel de cunho mais estratégico.

Os gestores, por outro lado, ganharam uma série de novas atribuições. Afinal o desempenho, a motivação, as questões salariais, de treinamento e até de assistência social de sua equipe passaram a ser de sua responsabilidade. Atualmente, se uma equipe não está motivada, a responsabilidade é de seu gestor, e não de recursos humanos.

É claro que estas mudanças não foram imediatas e muitas empresas ainda estão neste processo. Também, gestores nem sempre foram comunicados prontamente de seu novo papel, pois tudo isto foi e tem sido um processo.

Mas atualmente, na maioria das organizações, o gestor já tem que exercer este papel. Ele tem que ser capaz de recrutar, selecionar, avaliar o desempenho, oferecer coaching, motivar, dar feedback e tomar a decisão de demitir. Recursos humanos oferecerá apoio e indicará fornecedores, mas o responsável pela implementação e pelo resultado final é o gestor.

O grande gap neste novo papel é que nem todos gestores se atentaram para a necessidade de qualificação para desempenhar estas novas funções e, por outro lado, muitas organizações não ofereceram capacitação para seus gestores.

Portanto, encontramos gestores conscientes da dificuldade de, por exemplo, dar um feedback adequado, desenvolver um profissional ou mesmo decidir uma demissão, mas com pouco conhecimento conceitual destas atividades.

Com pouco tempo, com metas e objetivos a alcançar e acreditando que têm que manter o foco no negócio, esses profissionais podem esquecer da importância de uma gestão de pessoas de alto nível para a concretização das metas. É preciso sempre lembrar que, por exemplo, uma má contratação ou a perda de um talento da organização refletem, sim, no negócio ou no consecução dos resultados.

Outro aspecto importante a se destacar é que junto com as novas responsabilidades, o gestor passa a ter muito mais autonomia de atuação e poder sobre sua área, uma grande oportunidade de realização e exposição na organização.


Fonte: Valor Econômico - SP - Eu&Carreira - 24/10/2005

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