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Luciana
Sarkozy
Os últimos 20 anos trouxeram grandes mudanças no papel dos gestores em
geral - gerentes, diretores e presidentes. As transformações no
cenário econômico, o avanço da tecnologia e o desenvolvimento
organizacional, criando novos papéis para cada área e função atingiu
diretamente as demandas e responsabilidades dos
gestores.
Na década de 80, era muito comum ouvir que a área de recursos humanos
era responsável pelos aumentos salariais, pelo treinamento e pelo
desempenho e motivação de funcionários. Uma tarefa bastante árdua para
a área de recursos humanos - ser responsável pelo desempenho e
motivação de toda uma organização.
Gestores tinham o papel de conduzir bem o seu departamento, focando
mais nas questões técnicas, sejam da área comercial, produção,etc.
delegando o papel de gestor de pessoas para a área de recursos
humanos.
Embora o questionamento deste modelo tenha começado anteriormente, os
anos 90, em especial no Brasil, trouxe grandes mudanças refletidas no
dia-a-dia das empresas.
As áreas de recursos humanos sofreram grandes reestruturações,
diminuíram de tamanho, muitas funções foram extintas, gerando até o
questionamento da continuidade ou não deste segmento. Mas
recursos humanos não se extinguiu e nem
acredito que se extinguirá no médio prazo, mas passou a ter um papel
de desenvolvedor organizacional e cada vez terá um papel de cunho mais
estratégico.
Os gestores, por outro lado, ganharam uma série de novas atribuições.
Afinal o desempenho, a motivação, as questões salariais, de
treinamento e até de assistência social de sua equipe passaram a ser
de sua responsabilidade. Atualmente, se uma equipe não está motivada,
a responsabilidade é de seu gestor, e não de recursos
humanos.
É claro que estas mudanças não foram imediatas e muitas empresas ainda
estão neste processo. Também, gestores nem sempre foram comunicados
prontamente de seu novo papel, pois tudo isto foi e tem sido um
processo.
Mas atualmente, na maioria das organizações, o gestor já tem que
exercer este papel. Ele tem que ser capaz de recrutar, selecionar,
avaliar o desempenho, oferecer coaching, motivar, dar
feedback e tomar a decisão de demitir.
Recursos humanos oferecerá apoio e indicará
fornecedores, mas o responsável pela implementação e pelo resultado
final é o gestor.
O grande gap neste novo papel é que nem todos gestores se atentaram
para a necessidade de qualificação para desempenhar estas novas
funções e, por outro lado, muitas organizações não ofereceram
capacitação para seus gestores.
Portanto, encontramos gestores conscientes da dificuldade de, por
exemplo, dar um feedback adequado, desenvolver um profissional ou
mesmo decidir uma demissão, mas com pouco conhecimento conceitual
destas atividades.
Com pouco tempo, com metas e objetivos a alcançar e acreditando que
têm que manter o foco no negócio, esses profissionais podem esquecer
da importância de uma gestão de pessoas de alto nível para a
concretização das metas. É preciso sempre lembrar que, por exemplo,
uma má contratação ou a perda de um talento da organização refletem,
sim, no negócio ou no consecução dos
resultados.
Outro aspecto importante a se destacar é que junto com as novas
responsabilidades, o gestor passa a ter muito mais autonomia de
atuação e poder sobre sua área, uma grande oportunidade de realização
e exposição na organização. |