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dsg Eduardo Rocha & Associados
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POR QUE OS PROGRAMAS DE QUALIDADE DE VIDA FALHAM Administrador Profissional - setembro de 2005 - CRA-SP
Na opinião do psiquiatra e consultor organizacional, Paulo Gaudêncio, a maioria dos programas de melhoria da qualidade de vida prega a valorização das pessoas, mas pratica o desrespeito.
As empresas apregoam aos quatro cantos que o ser humano é o capital mais importante que possuem.
No entanto, trata-se de uma das maiores mentiras do mundo corporativo, já que cada vez mais, menos pessoas trabalham e quem trabalha, trabalha mais.
Para combater o estresse gerado por essa pressão, as empresas implantam programas de melhoria de qualidade de vida, que também apresentam contradições entre o discurso e a prática.
Pregam a valorização das pessoas, mas, na maioria das vezes, praticam o desrespeito. Assim, em vez de atacar a etiologia (estudo das causas das doenças), preocupam-se apenas com os sintomas.
O ponto de vista é do psiquiatra e consultor organizacional Paulo Gaudêncio, que debateu ao lado do diretor da Alcoa para a América Latina, José Taragano, e do médico Ricardo de Marchi, especialista nas áreas de promoção de saúde e qualidade de vida, as verdades e as mentiras que integram os programas de qualidade de vida.
O encontro deu-se no Conarh 2005 Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas, em São Paulo.
Segundo Gaudêncio, cerca de 80% dos profissionais declaram-se em estresse elevado.
São pessoas que se queixam de ansiedade, insônia, pressão alta, problemas gastrointestinais, entre outros sintomas provocados pelas pressões do ambiente de trabalho.
Essas pressões, de acordo com o médico, aumentaram a partir do início da década de 90, quando a globalização impôs às empresas mudanças drásticas e repentinas, como downsizing (enxugamento de pessoal, delegando maior responsabilidade a gerentes e funcionários de níveis mais baixos), reengenharia (reestruturação radical dos processos de gestão) e qualidade total.
Para Gaudêncio, o enxugamento excessivo de pessoal cria uma situação de estresse elevada em todos os níveis da empresa, mas são os diretores que estão pagando o maior preço. "Não esqueço a cena que presenciei ao visitar uma fábrica. Soou o primeiro apito e saiu o pessoal do operacional, o chamado "chão de fábrica". Brincavam uns com os outros, chutavam latinhas, foram para casa aparentemente contentes.
Quinze minutos depois,o segundo apito liberou os executivos.Estavam cabisbaixos, de ombros caídos.Carregavam suas pastas como se estivessem levando a empresa para casa", explicou.
Contingências Gaudêncio entende que as empresas estão mentindo para si mesmas ao implantar programas de qualidade de vida que não apostam na valorização e produtividade dos profissionais.
"Estão preocupadas apenas com o combate dos sintomas”.
“As academias de ginástica são ótimas para se combater os sintomas, mas as empresas precisam compreender que trabalhar com qualidade de vida significa atacar fundamentalmente a etiologia", disse, ao ressaltar que se a dificuldade é maior que a habilidade, esta deve ser tratada com treinamento ou, então, deve-se diminuir a dificuldade.
Ele lembrou que as pessoas podem estar dentro de níveis aceitáveis de competência, que mesmo assim correm o risco de ficarem estressadas.
Se isso ocorrer contingencialmente não há problemas, já que é normal o corpo "estremecer" diante de uma situação nova. É o caso de um funcionário recém - promovido.
Por um certo período, ele se sentirá ansioso por ter de enfrentar uma situação que apresenta-se maior que seus conhecimentos.
Essa ansiedade é normal, faz parte da reação de luta ou de fuga, e tende a desaparecer à medida que a experiência do novo cargo e os treinamentos aumentam a habilidade.
O problema, explica Gaudêncio, é que existem contingências que duram anos.
Ou seja, o estresse torna-se crônico e os sintomas de várias doenças começam a aparecer.
Para complicar, quem está nesta situação passa a apresentar desequilíbrios entre a vida pessoal e a profissional.
Desentende-se com freqüência com os superiores, sente-se insatisfeito com as perspectivas da carreira e, não raro, infeliz com a própria vida.
Para o psiquiatra, a reversão desse quadro somente se dará quando as empresas perceberem que o respeito à qualidade de vida de seus colaboradores dá lucro.
"Mas, para isso, é preciso comprovar que, se com sete funcionários tem-se uma despesa menor que com dez, por outro lado, dez funcionários satisfeitos trarão uma produtividade bem maior que a de sete estressados". |
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