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GESTÃO TEMPORÁRIA:
QUANDO E PORQUE UTILIZÁ-LA.
Um dos temas que mais tem vindo à baila nas
revistas e periódicos especializados em negócios é o que trata do Capital
Intelectual das empresas. Já é tido como indiscutível que esse capital é
de valor muito significativo (transcendendo às vezes aos valores dos
ativos tangíveis das empresas). O que se busca agora é uma maneira de
mensurá-lo. Sabemos que vários são os fatores que fazem a diferença entre
o sucesso de uma empresa e o fracasso de suas concorrentes, dentre os
quais destacamos: a cultura de negócio e produto imposta pelo seu
fundador; a forma como ela é gerenciada; a sua maneira de fazer marketing;
a sua política de recursos humanos; a imagem do produto junto aos seus
usuários; etc.
Não raro, observamos o desaparecimento de
organizações que foram verdadeiros ícones de sucesso por décadas.
Recentemente vimos desaparecer duas marcas tradicionalíssimas de nosso
mercado varejista, marcas que fizeram parte de várias gerações de
consumidores brasileiros; Mesbla e Mappin ( apenas para exemplificar ).
Coincidentemente essas duas empresas desapareceram logo após passarem por
profundas mudanças no modelo de gestão, com a troca de seus comandos
familiares para a de investidores profissionais, com passado bem
recomendado. E porque fracassaram? As marcas eram fortes? Sem dúvida. Os
produtos que comercializavam eram de qualidade? Certamente que sim ( na
maioria deles). O que teria havido então?
Sem me ater a pesquisas de cunho científico
aplicado ao estudo dos casos, permito-me fazer uma avaliação de
observador, apoiado na minha longa experiência profissional.( Já prestei
serviços a um bom número de empresas familiares e fiz parte do quadro
gerencial de multinacionais, bem como acompanhei através de livros ,
revistas e diversos cursos de atualização , vários casos de reestruturação
de empresas). O que notei de comum a todas elas: possuíam uma cultura
própria, mais personalista (nos casos das empresas familiares) ou mais
impessoal (multinacionais), mas em todas elas esses traços culturais
profundamente arraigados eram os responsáveis pela sua situação no mercado
( fosse ela boa ou ruim). A maneira como se dá o relacionamento entre a
equipe que compõe o quadro de auxiliares e a empresa , determina o seu
maior ou menor êxito . Se as pessoas estão lá apenas porque precisam de um
emprego, com certeza essa empresa não irá se sair bem . As pessoas que
compõem o acervo intelectual de uma empresa qualquer, precisam se sentir
parte integrante dela, compartilhar do sonho de seu fundador, saber
exatamente como ele pensa e espera que cada
um atue para que seus objetivos sejam alcançados. Após alguns anos de
trabalho conjunto, essas pessoas desenvolvem a “expertise” do negócio.
Trabalham na obtenção de um objetivo comum de uma forma harmônica, quase
imperceptível, e isso é percebido pelo mercado. As pessoas que vão
consumir os produtos dessas empresas, o fazem porque percebem um
diferencial. Compram da empresa A e não da B porque percebem
um diferencial, pois caso contrário não teriam elegido a empresa A
como a sua favorita. Quando esse diferencial desaparece, desaparece junto
a fidelidade do consumidor, pois ele já não percebe mais o antigo
diferencial . Então, ele vai em busca de um novo fornecedor. Esse
movimento poderia deixar de ser fatal se novos consumidores enxergassem
outros diferenciais na nova maneira de agir da empresa A, mas
normalmente não é isso que acontece, pois usualmente o diferencial que a
nova gestão da empresa A aplica é o comum do mercado, ou seja,
outras marcas já a praticam. Nos casos Mesbla e Mappin arrisco afirmar que
após a mudança de comando , na percepção de seus consumidores, elas
deixaram de ser a Mesbla e o Mappin que eles conheciam e gostavam há
décadas. Já que não se identificavam mais com elas, foram buscar outras
alternativas.
Toda essa introdução visa arregimentar os
argumentos que justificariam a contratação de uma gestão temporária pelas
empresas que precisam se atualizar, sem ,contudo, perder sua identidade
com o seu público consumidor.
O que vem a ser Gestão Temporária? Como o
próprio nome sugere, é a entrega da gestão total ou parcial da empresa a
terceiros, especialmente contratados para esse fim, por um prazo e
objetivos pré-determinados. Compreende a inserção na empresa de pessoa ou
grupo de pessoas capazes de conduzir processos de reestruturação ou
reorganização, preservando a cultura da mesma.
Os Gestores Temporais teriam como objetivo
transmitir novas técnicas de controle e gestão aos atuais controladores e
colaboradores das empresas que os contratam, respeitando a “ maneira de
fazer negócio “ da organização.
Os Gestores Temporais devem ser contratados
por prazo certo e com um rendimento variável: uma parte (menor) pela
dedicação integral e outra (maior), pelo êxito na missão. Seus contratos
devem ser bem redigidos quanto ao objetivo final da contratação, a fim de
permitir a avaliação do êxito ao final e a correção de curso durante o
andamento do projeto.
Os Gestores Temporais devem possuir uma boa
experiência na área em que vão atuar, de preferência em mais de um ramo de
negócio, em empresas de diversos tamanhos e tipos de constituição
societária ( de familiares a corporações), bem como comprovada
especialização.
A Gestão Temporária se aplica bem aos
seguintes casos:
·
Quando uma empresa de gestão familiar
se prepara para a sucessão aos herdeiros;
·
Quando uma empresa de gestão familiar
se prepara para a entrega de comando a profissionais de mercado
·
Quando uma empresa qualquer está
atravessando um momento de crise financeira ou de mercado e não consegue
superá-la através de seus próprios recursos gerenciais ou humanos.
·
Quando uma empresa está passando por
uma fase de implantação de novo software de gestão ou por um programa de
qualidade. (Tem sido polêmicos os resultados obtidos através da
contratação de consultores externos, pagos por hora, para a execução desse
tipo de trabalho. Além do fato de não se ter a noção exata do custo do
projeto, se não houver um comprometimento com o êxito em si, esses
processos tendem a custar muito mais do que o previsto e seus resultados
nem sempre são satisfatórios. Vejam os inúmeros artigos que são publicados
freqüentemente sobre projetos de implantação de ERPs pelo mundo afora. O
responsável pela implantação deve estar comprometido com a empresa e ter
uma boa parte de sua remuneração vinculada ao êxito de sua missão. Ao
final do trabalho, ele deixa a organização, mas o aprendizado fica
incorporado a sua cultura).
·
Na substituição temporária de
executivos com problemas de saúde que necessitem de afastamento por
períodos longos (6 meses a um ano).
·
Na substituição de executivos durante
o ano sabático, ou seja, durante o período em que estarão afastados da
empresa para a realização de cursos de especialização, no país ou no
exterior.
A grande vantagem da contratação da
Gestão Temporária é, portanto, permitir o ingresso de novas metodologias
de gestão, sem, contudo, destruir a cultura das empresas.( O que vem sendo
prática no mercado é a substituição definitiva dos principais executivos
afinados com a empresa por outros originados do mercado que, via de regra,
substituem seus subordinados, destruindo a cultura pré existente. Em
outras palavras, dilapidam o Capital Intelectual das empresas, capital
esse acumulado ao longo dos anos É claro que as vezes são necessários
ajustes nos quadros de pessoal , mas esses devem ser limitados aos casos
em que isso for indispensável para o sucesso do projeto).
A Gestão temporária permite o treinamento
continuado da empresa em novas técnicas, sem quebrar a harmonia de
comando, respeitando o que as empresas têm de mais importante: a sua
cultura.
A Gestão Temporária também pode ser utilizada
nos casos em que a empresa precisa sofrer profundas mudanças em sua
maneira de gerir, por
reconhecimento de seus controladores como
incapazes de realizarem tais modificações. Também nesses casos deverá
haver um comprometimento dos Gestores Temporários com prazos e o sucesso
do projeto. Eles devem saber quando começam o trabalho, quais os objetivos
a atingir e quando devem devolver o comando aos donos da empresa.
Além dos benefícios já descritos
anteriormente, a Gestão Temporária pode se transformar na maneira mais
eficaz e economicamente atrativa de se promover o treinamento continuado
do corpo de colaboradores das empresas que dela se utilizarem. Todos nós
sabemos que a melhor maneira de assimilar um novo conhecimento, é
praticando-o.
Marcos Carneiro
Diretor Técnico
P.Pimentel Sistemas Contábeis e Auditoria
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