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Felipe Westin*
Por que a gestão de pessoas tornou-se estratégica? A primeira
observação que podemos fazer é com relação ao advento da globalização.
Este processo tem um tremendo impacto no ambiente econômico do
planeta. A tecnologia permite uma forte interação entre os diversos
países, possibilitando uma mobilidade muito grande do capital.
O capital está sempre em busca de eficiência e resultado. Além da
mobilidade, a globalização permite a disponibilidade do capital em
qualquer parte do mundo. O acesso a tecnologias também passa a ser
muito fácil e muito rápido. Em função das novas tecnologias a
comunicação se desenvolve de forma fantástica.
Apenas como exemplo, hoje muitas empresas mantêm seus centros de
telemarketing e de help desks localizados em várias partes do mundo.
Uma empresa americana pode facilmente ter um help desk sediado na
Índia, onde o custo desta operação pode ser muito mais baixo e
eficiente. Outro fenômeno que ocorre com a globalização é o de fusões
e aquisições de grandes organizações — tornando-as cada vez mais
competitivas e inovadoras para continuarem a crescer.
Como podemos observar, a globalização facilitou a disponibilidade de
tecnologias e capital. O que antes era escasso passou a ser quase
“comoditizado” e disponível em várias partes do mundo. Com isso, as
organizações, de um modo geral, ficaram muito parecidas no que tange
ao capital e à tecnologia.
A globalização cria uma nova era — a era do conhecimento. Para se
inovar é preciso ter uma combinação de conhecimento e criatividade.
Nesse sentido o capital e a tecnologia, embora essenciais como o ar
que respiramos, não são os únicos elementos fundamentais nesta
equação.
Conhecimento e criatividade dependem fundamentalmente de gente. É por
esta razão que a gestão de pessoas se tornou fundamental e estratégica
para os negócios. As organizações que não tiverem os talentos
adequados e desenvolvidos para os seus negócios, não terão capacidade
para inovar e, por conseqüência, continuar a crescer e prosperar.
Um bom exemplo é o setor farmacêutico. Todos sabem que assim que a
patente de um produto expira, o mercado é inundado de genéricos, que
são cópias dos produtos que ficaram sem a patente. Como não há custo
de investimento para desenvolver os produtos, empresas de genéricos
conseguem colocá-los no mercado a custo muito baixo.
Logo, se as empresas farmacêuticas de ponta não continuarem a
desenvolver produtos cada vez mais inovadores poderão ver seus
negócios sucumbirem ao longo do tempo. Entretanto, para descobrir
novas moléculas, as empresas dependem fundamentalmente de conhecimento
e criatividade. É uma prova concreta de porque a gestão de pessoas nas
organizações tornou-se estratégica.
Estas mudanças no mundo econômico trouxeram grandes alterações no
mundo do trabalho e no ambiente das organizações. Este novo ambiente
de trabalho requer um novo perfil de profissionais, que devem possuir
as seguintes características:
Pessoas inspiradas no que fazem: para que isso seja possível não basta
apenas ter competência no trabalho; é preciso ter paixão por aquilo
que se faz.
Liberdade para criar: o ambiente organizacional deve promover espaço
para que as pessoas possam exercitar a sua criatividade empreendedora.
Será impossível ter inovação em um ambiente onde a cultura da
organização for muito controladora e castradora de novas idéias.
Flexibilidade para se adaptar à mudança: Mao Tse Tung já dizia “Só os
tolos não mudam de idéia”. Esta é uma grande verdade. As organizações
e as pessoas precisam se preparar para mudarem sempre. Eliminar coisas
que não agreguem valor, adquirir novos conhecimentos e habilidades que
as permitam continuar a progredir.
Foco no resultado: a continuidade de um negócio, como todos sabemos,
depende de um bom resultado. Não interessa em que área a pessoa atua —
ela tem de ter foco no resultado e entender como o seu trabalho
contribui para este resultado.
Ambiente colaborativo interno e competitivo externo: As pessoas têm de
trabalhar em time e colaborar umas com as outras para que o resultado
do trabalho seja plenamente atingido.
Em resumo, os pontos importantes e estratégicos na gestão de pessoas
para uma empresa ter sucesso são:
a) sócio nos negócios: desenvolver e envolver as pessoas em busca dos
resultados;
b) cultura: trabalhar junto torna-se uma vantagem competitiva;
c) ótimas pessoas: atrair, manter e desenvolver ótimos talentos;
d) desenvolvimento: realização de ótimos resultados de negócio através
do desenvolvimento de pessoas;
e) liderança: gestão de pessoas e não de cargos.
As organizações que fizerem uma excelente gestão de pessoas certamente
obterão sucesso em seus negócios. Serão bem-sucedidas porque
desenvolverão produtos inovadores e saberão como colocar esses
produtos no mercado, atendendo as necessidades de seus clientes.
O capital está disponível. A tecnologia também. O que não é possível
copiar são os talentos e a cultura de uma organização. Por isso, a
gestão das pessoas e dos seus talentos se tornou o elemento mais
estratégico das organizações.
*Diretor de Recursos Humanos da Bristol - Myers Squibb e
vice-presidente da ABRH-SP |