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O papel da gestão de pessoas
Fonte: DCI - SP - Carreiras & Gestão - 2710/2005

Felipe Westin*

Por que a gestão de pessoas tornou-se estratégica? A primeira observação que podemos fazer é com relação ao advento da globalização. Este processo tem um tremendo impacto no ambiente econômico do planeta. A tecnologia permite uma forte interação entre os diversos países, possibilitando uma mobilidade muito grande do capital.

O capital está sempre em busca de eficiência e resultado. Além da mobilidade, a globalização permite a disponibilidade do capital em qualquer parte do mundo. O acesso a tecnologias também passa a ser muito fácil e muito rápido. Em função das novas tecnologias a comunicação se desenvolve de forma fantástica.

Apenas como exemplo, hoje muitas empresas mantêm seus centros de telemarketing e de help desks localizados em várias partes do mundo. Uma empresa americana pode facilmente ter um help desk sediado na Índia, onde o custo desta operação pode ser muito mais baixo e eficiente. Outro fenômeno que ocorre com a globalização é o de fusões e aquisições de grandes organizações — tornando-as cada vez mais competitivas e inovadoras para continuarem a crescer.

Como podemos observar, a globalização facilitou a disponibilidade de tecnologias e capital. O que antes era escasso passou a ser quase “comoditizado” e disponível em várias partes do mundo. Com isso, as organizações, de um modo geral, ficaram muito parecidas no que tange ao capital e à tecnologia.

A globalização cria uma nova era — a era do conhecimento. Para se inovar é preciso ter uma combinação de conhecimento e criatividade. Nesse sentido o capital e a tecnologia, embora essenciais como o ar que respiramos, não são os únicos elementos fundamentais nesta equação.

Conhecimento e criatividade dependem fundamentalmente de gente. É por esta razão que a gestão de pessoas se tornou fundamental e estratégica para os negócios. As organizações que não tiverem os talentos adequados e desenvolvidos para os seus negócios, não terão capacidade para inovar e, por conseqüência, continuar a crescer e prosperar.

Um bom exemplo é o setor farmacêutico. Todos sabem que assim que a patente de um produto expira, o mercado é inundado de genéricos, que são cópias dos produtos que ficaram sem a patente. Como não há custo de investimento para desenvolver os produtos, empresas de genéricos conseguem colocá-los no mercado a custo muito baixo.

Logo, se as empresas farmacêuticas de ponta não continuarem a desenvolver produtos cada vez mais inovadores poderão ver seus negócios sucumbirem ao longo do tempo. Entretanto, para descobrir novas moléculas, as empresas dependem fundamentalmente de conhecimento e criatividade. É uma prova concreta de porque a gestão de pessoas nas organizações tornou-se estratégica.

Estas mudanças no mundo econômico trouxeram grandes alterações no mundo do trabalho e no ambiente das organizações. Este novo ambiente de trabalho requer um novo perfil de profissionais, que devem possuir as seguintes características:
Pessoas inspiradas no que fazem: para que isso seja possível não basta apenas ter competência no trabalho; é preciso ter paixão por aquilo que se faz.

Liberdade para criar: o ambiente organizacional deve promover espaço para que as pessoas possam exercitar a sua criatividade empreendedora. Será impossível ter inovação em um ambiente onde a cultura da organização for muito controladora e castradora de novas idéias.

Flexibilidade para se adaptar à mudança: Mao Tse Tung já dizia “Só os tolos não mudam de idéia”. Esta é uma grande verdade. As organizações e as pessoas precisam se preparar para mudarem sempre. Eliminar coisas que não agreguem valor, adquirir novos conhecimentos e habilidades que as permitam continuar a progredir.

Foco no resultado: a continuidade de um negócio, como todos sabemos, depende de um bom resultado. Não interessa em que área a pessoa atua — ela tem de ter foco no resultado e entender como o seu trabalho contribui para este resultado.
Ambiente colaborativo interno e competitivo externo: As pessoas têm de trabalhar em time e colaborar umas com as outras para que o resultado do trabalho seja plenamente atingido.

Em resumo, os pontos importantes e estratégicos na gestão de pessoas para uma empresa ter sucesso são:

a) sócio nos negócios: desenvolver e envolver as pessoas em busca dos resultados;
b) cultura: trabalhar junto torna-se uma vantagem competitiva;
c) ótimas pessoas: atrair, manter e desenvolver ótimos talentos;
d) desenvolvimento: realização de ótimos resultados de negócio através do desenvolvimento de pessoas;
e) liderança: gestão de pessoas e não de cargos.

As organizações que fizerem uma excelente gestão de pessoas certamente obterão sucesso em seus negócios. Serão bem-sucedidas porque desenvolverão produtos inovadores e saberão como colocar esses produtos no mercado, atendendo as necessidades de seus clientes.

O capital está disponível. A tecnologia também. O que não é possível copiar são os talentos e a cultura de uma organização. Por isso, a gestão das pessoas e dos seus talentos se tornou o elemento mais estratégico das organizações.

*Diretor de Recursos Humanos da Bristol - Myers Squibb e vice-presidente da ABRH-SP


Fonte: DCI - SP - Carreiras & Gestão - 2710/2005
 

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